domingo, 30 de novembro de 2008

Questão de gosto: Belo e Feio



...os gestos da vida são feitos com simplicidade e os rostos dos que se levantam cedo são muito comoventes. (Robert Doisneau, 1912-1994)


Outro dia me peguei em uma discussão com um colega de faculdade, o patrício não se conformava com a minha posição sobre a suposta beleza de uma garota.

- Você é esquisito! Ela é demais! – fui obrigado a escutar.

E quem estava certo? Por óbvio que nenhuma das posições era a correta, se é que podemos falar em posição correta.

Etimologicamente, a palavra estética deriva do grego aisthesis, que significa “faculdade de sentir”, “compreensão pelos sentidos”, ou ainda “percepção totalizante”. Como podemos extrair então os conceitos de belo e feio?

Através dos anos os filófosos discutiam sobre a beleza. Houve aqueles que defendiam a objetividade (do Platão ao Classicismo prevalecia à idéia do “belo em si” independente das obras individuais), como outros que defendiam a subjetividade (da onde decorreu a famosa frase criada a partir das idéias de David Hume: “Gosto não se discute”).

E a pergunta continua: Quem está certo?

Uma vez, conversando com um pintor/restaurador ouvi a seguinte frase: “Belo é aquilo que te agradar! Se você compra um quadro, por exemplo, você é o único que deve achá-lo bonito ou feio. Afinal de contas, quem vai olhar todo dia para a pintura não é o crítico de arte.”

“O que seria do azul se todos gostassem do vermelho” não é mesmo?

Apesar de entender que o julgamento sobre a beleza e a feiúra deve ser feito quando temos um mínimo de conhecimento estético, pois o gosto não é nada mais do que a capacidade de julgar sem ter preconceito (o amplo conhecimento afasta o preconceito), não acho correto discriminar àqueles que acham a beleza onde não vemos nada.

Cada qual acha o significado que mais lhe convém. Não vinga mais a idéia do “isso é bonito, isso é feio!”. As imagens que ilustram esse post, feitas pelo grande fotógrafo Robert Doisneau, são a máxima expressão de que cada qual pensa (e assim deve pensar) a sua maneira.

Há aqueles que olham com curiosidade e entusiasmo o nu, considerando talvez arte, talvez erotismo. Como também há aqueles que se assustam, ignoram, ou fazem até mesmo um olhar discriminador.

Todos os significados decorrentes da análise da imagem são verdadeiros, e devem assim ser considerados. Só devemos refutar aqueles, que com ares de sapiência milenar nos dizem: - Você é esquisito!.

Um comentário:

  1. MUITO BOM!

    Esse blog, diga-se assim despretensiosamente, vai vingar!!

    BEM VINDO CROXZINHO QUERIDO!

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