quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Um pouco mais de Vicky Cristina Barcelona, um dos ingredientes do sucesso

OBRIGADO!

DE FATO, tenho que agradecer: o filme é o máximo! Não teria me perdoado se tivesse perdido a oportunidade de assisti-lo na telona. WOOD, um visionário! 

Queria, seguindo aquele papo de "interpretação" do filme, atentar para uma característica importante, que o pessoal da Letras adora: O NARRADOR 

O narrador do filme é em 3ª pessoa e falante, o que não é raro - todo filme da Disney tem, por exemplo: "era uma vez, uma princesa..." Mas logo ele desaparece e só é retomado no final: "viveram felizes para sempre". Wood vai por outro caminho. Primeiro, o narrador permeia toda a história nos contando suas impressões e mesmo os sentimentos dos personagens. É possível depreender também que esse narrador é omnisciente e está em todo lugar, nos mostrando o que quer, pois julga importante, e deixando de mostrar o que não ajudará o efeito que se quer criar. Muito diferentemente do narrador Kafkiano, em metamorfose - um exemplo mais conhecido - em que o narrador, apesar de em 3ª pessoa e supostamente omnisciente, parece só saber o que o próprio Gregor sabe e mais, só nos mostra o que o protagonista viu (salvo o final, mas até o próprio Kafka admite em suas cartas que acha defeituosa a mudança, quando o personagem morre... Eu não acho nada defeituosa, acho genial, mas enfim, deixemos eles de lado; o foco é outro!) 

Que efeito isso causa? O que o filme ganha com isso? 
MUITO! Pode parecer que não, mas ao que me parece, esse narrador era o único possível - não que nosso querido WA seja menos genial por isso, mas vejam:  
O que wood faz, no íntimo, é dar voz a câmera, não criar um narrador. Como assim? Percebam, todo filme tem um narrador, embora possa parecer que não. Quando vemos um muito compenetrados, ou lemos um livro bom (em 3ª pessoa, claro!) muitas vezes, nos esquecemos que tem alguém contando aquela história e ficamos só com a história propriamente dita; verdade ou não? No filme não é diferente. Temos que ter em mente que o ângulo que a cena nos é mostrada é escolha do narrador, não do diretor - entre mil aspas, por favor, antes que eu seja esfaqueado - toda sua subjetividade está lá, na maneira que ele resolveu nos contar cada momento. Embora os personagens pareçam mais independentes nos filmes do que nos livros (de novo: em 3ª pessoa) na verdade, não o são.  
A mágica dessa maneira de contar a história que o diretor escolheu é que podemos acreditar fielmente no que ele diz, pois, embora ele tenha sua subjetividade, não tem intenção nenhuma de nada, nem sabemos quem ele é, portanto, nos conta com verossimilhança o que sentiram, fizeram e viveram os personagens (e ele é omnisciente, claro!). Podemos, no próprio filme constatar isso, quando ele (narrador) nos diz como alguma personagem se sentiu, em muitos momentos, logo na seqüência, o personagem aparece contando o que sentiu, à sua maneira, mas no fim, nos dando o mesmo diagnóstico. 
Com isso, a história torna-se muito mais rápida, mas ao mesmo tempo, preserva-se todo o detalhismo característico do WA. Além disso, ele resguarda a atenção do público, que em sua maioria não é muita, para os momentos que julgou importantes. Imaginem se ele tivesse que mostrar tudo o que foi narrado rapidamente enquanto uma outra cena menos importante passava na tela. Doze horas de filme, ou mais! 
Enfim, não quero me aprofundar tanto nessa questão, era mais só pra chamar a atenção para essas questões:
1. Todo filme tem narrador - a câmera! Isso é óbvio quando esta está em primeira pessoa, tipo "pânico" em que você vê pelos olhos do assassino a cena, a faca à frente e a tela balança no ritmo do andar do vilão. Mas quando não é assim, esquecemos. O NARRADOR CONTINUA ALI! Outra pulga: no cinema, essa mudança de tipo de narrador não incomoda ninguém, mas e na literatura? 
2. Wood Allen é genial, em todos os sentidos e para todos os públicos (acho)! 

FUI!

PS: Personagem é substantivo masculino e feminino, não reparem se vario durante o texto...
E Tita, parabéns, musse (ou mousse) é substantivo feminino (lembra??), mas isso não anula a explicação que eu dei sobre o porquê de não ter nada a ver ser feminino em francês e em português. Enfim... BEIJOS A TODOS, agora fui mesmo!
PS2: Último, juro. HAJA DIGRESSÃO HEIN, - e haja texto, não achei que ia ficar tão grande, meu Deus... - Tentarei focar mais no próximo texto, mas estou com preguiça de mudar este (e acho que não ficaram ruins as digressões, de um modo geral, assim... tipo assim, sei lá, não é mesmo? Ah! Eu acho. Não? Ué, quem sabe? Vai saber... Tenho essa impressão, tá ligado? Por aí, aquela coisa, né? Você sabe!) 
E SE NÃO É ISSO? REBULIÇO! 

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