sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Woody em grande estilo


O novo filme do inigualável Woody Allen já está nos melhores cinemas do país há uma semana (e se você conhece algum cinema que não está com esse filme em cartaz tire-o agora mesmo de sua lista de cinemas freqüentáveis). A pergunta é: o que você tinha de mais importante para fazer do que assistir esse filme? E a resposta é óbvia: quase nada. Eu não vou nem considerar o fato de que o filme é do Woody, o que já seria motivo mais do que suficiente, eu vou considerar o fato de que esse é um daqueles filmes que meus pais gostam, minha avó gosta, minhas amigas (as mais e as menos interessadas em cinema) gostam, meus amigos, os críticos, todo mundo! E olha que isso é muita gente. Pode parecer hipocrisia, mas eu não estou pregando a ida ao Vicky Cristina Barcelona por ser um bom filme, prego porque acho que todos gostarão de por alguns momentos ser um daqueles maravilhosos personagens, senão todos. E prego, principalmente, porque acho que está mais do que na hora de dar uma chacoalhada nesses estereótipos de casais amorosos que estão soltos nas telas por aí. O filme nos obriga a pensar no amor e nas formas dele da maneira mais gostosa do mundo: rindo.

“A história do verão em Barcelona de Vicky e Cristina é um pequeno tratado do amor-paixão: os espectadores terão o prazer (ou desprazer) de se reconhecer em algum lugar do leque de experiências amorosas que o filme apresenta- é um leque pequeno, mas do qual escapamos pouco.” Contardo Calligaris

“O amor e a paixão não nos fazem necessariamente felizes, mas são uma festa e uma alegria porque deles podemos esperar ao menos isto: que eles nos tornem um pouco outros, que eles nos mudem” Contardo Calligaris, também em sua análise do filme.

Ps: Colaboradores do Blog, sei que não são espectadores assíduos de cinema, mas nesse caso garanto que vão gostar.

Ps2: quem gosta de cinema deve ter reparado a referência que Woody faz a uma cena do Fale com Ela do Almodóvar. Quero deixar aqui meus parabéns, uma vez que Almodóvar é um dos mestres na criação de personagens e filmando em Barcelona Woody está de mão dada com ele.

Um comentário:

  1. Vicky Cristina Barcelona, a nova - e desconcertante - explosão de talento de Woody Allen, como define a Revista Bravo, surpreendeu por sua aprovação unânime. Não que outros filmes de Woody mereçam menos destaque, mas Vicky Cristina Barcelona é talvez, depois de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, o segundo auge do cineasta.

    Agradar desde críticos de cinema até espectadores amantes de hollywood é, sem sombra de dúvidas, uma tarefa admirável. Talvez seja a universalidade lançada através de personagens movidos por angústias interiores, e não necessariamente por conflitos externos, o que absorva-nos (seja pela rejeição ou pela identificação com cada um deles).

    Outro artifício, aparentemente periférico, mas que dá cara aos filmes de Woody é a tribo de intelectuais, psicanalistas e artistas que embora sensíveis e inteligentes, portam-se de maneira patética ou mesmo bizarra quando deparam-se com as próprias emoções.

    O riso começa com tais situações vividas pelos personagens e sem perceber se estende a nós mesmos. Rimos daquilo mais íntimo que reconhecemos em nós e no outro, ainda que não sejam na vida real, características rísiveis. E uma das mágicas de Woody é exatamente esta: fazer-nos rir de angústias que tratamos no divã. O diretor e roteirista, aliás, passou décadas num divã, o que o permitiu construir personagens e situações com uma abordagem psicanalítica.

    Tal como o próprio Freud, no fim de sua vida, questionou-se 'o que querem as mulheres?', Woody Allen tenta fazer um esboço dessa insuperável questão em suas personagens. Vicky, Cristina e Maria Elena, cada qual de seu maneira, buscam uma satisfação indefinida, que ultrapassa bens materiais e relações amorosas, que resumem-se na fala de Woody: "Estou bem materialmente, profissionalmente e minha vida amorosa está ótima. Só tem um problema. Eu gostaria de ser uma outra pessoa".

    O velho Sigmund se divertiria com a obra de Allen.



    Tita e Toti


    P.S. - ficamos curiosos, em que cena o filme faz referência ao Fale com Ela??

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